sábado, 21 de Novembro de 2009

QUEM QUER SER FILHO DE UM MUNDO DESTES?!...

Pai esfaqueou rapariga por falar com soldado
"Abdel-Qader Ali não tem dúvidas: o mínimo que a filha merecia era morrer. O crime da rapariga de 17 anos? Ter-se apaixonado por um dos 1500 soldados britânicos estacionados na cidade iraquiana de Baçorá. "Se eu soubesse no que ela se ia transformar, tê-la-ia matado logo que a mãe a deu à luz", garantiu este funcionário público xiita, numa entrevista ao semanário britânico The Observer.
Dois meses depois de a morte de Rand Abdel-Qader - sufocada e esfaqueada pelo pai e irmãos a 16 de Março - ter chocado o mundo, Abdel-Qader Ali continua em liberdade. Foi no jardim da sua casa que o homem de 46 anos recordou como teve "o apoio dos meus amigos que também são pais e sabem que o que ela fez é inaceitável". A própria polícia, que chegou a deter Abdel-Qader umas horas, deu-lhe razão. "Todos sabem que os crimes de honra são impossíveis de evitar", disse o iraquiano, segundo o qual "os agentes ficaram ao meu lado o tempo todo a dar-me os parabéns pelo que fizera".
Rand Abdel-Qasser terá conhecido Paul, um militar britânico de 22 anos, numa acção de caridade na cidade do Sul do Iraque, em que ambos participavam como voluntários. Como qualquer adolescente apaixonada, apressou-se a contar tudo à melhor amiga Zeinab. "Ela gostava de falar do seu cabelo louro e olhos cor de mel, da sua pele branca e da sua maneira suave de falar", recordou a rapariga de 19 anos em declarações ao Daily Mail. Para as amigas, o britânico era "muito diferente dos homens de cá, rudes e analfabetos".
Estudante de Inglês na Universidade de Baçorá, Rand tinha a vantagem de poder falar com Paul sem intermediários. E rapidamente começou a usar todos os argumentos possíveis para prolongar o seu trabalho de voluntariado, que lhe dava a oportunidade de estar com ele.
Uma paixão que podia até nem ser retribuída. De facto, Rand e Paul não se terão encontrado mais de meia dúzia de vezes e sempre em locais públicos. "Ela nunca fez nada para além de falar com ele", garantiu Zeinab. Mesmo assim, esta não se cansou de alertar a amiga para os perigos desta amizade: "Disse-lhe vezes sem conta que ela era muçulmana e que a sua família nunca aceitaria que casasse com um soldado britânico cristão." Como confidente de Rand, era Zeinab quem guardava os presentes que este lhe oferecia, como um leão em peluche para o qual diz agora ser "difícil olhar".
E foi o que aconteceu. Quando o pai de Rand soube que a filha se andava a encontrar com o militar, perdeu a cabeça. "Entrou em casa com os olhos raiados de sangue e a tremer", recordou ao The Observer a mãe da rapariga. Quando viu o marido a sufocar a filha com o pé, Leila Hussein chamou os dois filhos, de 21 e 23 anos, para ajudarem a irmã. Mas quando o pai lhes disse o motivo da agressão estes ainda o ajudaram.
Considerada "impura", Rand não teve direito a funeral e os tios cuspiram sobre o seu corpo quando este foi lançado a uma vala. Incapaz de viver sob o mesmo tecto que o homem que matou a sua filha, Leila pediu o divórcio e está, desde então, escondida para evitar a vingança do marido. "Fui espancada e fiquei com o braço partido", disse a mulher, que agora trabalha para uma organização que denuncia os crimes de honra.
Em 2007, 47 mulheres foram mortas por terem violado "a honra" da família só em Baçorá e desde Janeiro deste ano a Comissão de Segurança da cidade garante que o número já vai em 36. Segundo a ONU, pelo menos cinco mil mulheres são anualmente vítimas de crimes de honra em todo o mundo, e, apesar de a maioria decorrer em países islâmicos, estão a acontecer cada vez mais a muçulmanas que vivem no Ocidente.
Apesar da presença britânica, Baçorá é em parte controlada pelas milícias, que definem regras estritas de comportamento. São elas quem impõem os códigos de vestuário, as práticas religiosas e determinam que a prostituição e a homossexualidade são puníveis com a morte. "
Helena Tecedeiro
in: Diário de Notícias, 12 de Maio de 2008
Para todas as vítimas de violência a beleza que a Natureza oferece em todo o seu esplendor de liberdade.

sábado, 17 de Outubro de 2009

DIA INTERNACIONAL DA ERRADICAÇÃO DA POBREZA

Mais de mil milhões de pessoas estão a passar fome!
Um novo relatório das Nações Unidas sugere que mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo estão a passar fome.
Diariamente morrem milhares de pessoas por não terem com que se alimentar. Homens, mulheres e acima de tudo crianças morrem no meio de uma pobreza extrema, numa realidade que diariamente ignoramos e que muitas vezes está mesmo ao nosso lado.
Dia 17 de Outubro comemora-se o Dia Internacional de Erradicação da Pobreza e o Rotary faz questão de assinalar esta data. É importante conhecermos os números, enfrentarmos a realidade, mas mais importante é saber o que fazer para contribuir para a erradicação da pobreza. O Rotary tem vários planos em acção, ao qual todos se podem aliar e contribuir das mais diferentes formas. A alfabetização está também no centro das acções do Rotary, por se tratar de uma das questões que mais contribui para a erradicação da pobreza, e por isso é também importante analisar as acções neste campo.
Segundo dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, bastaria 1 por cento do rendimento mundial para cobrir todo o custo da erradicação da pobreza material do mundo.
O Fórum da Aliança Mundial das Cidades Contra a Pobreza - AMCCP -, criada no início da Década das Nações Unidas para a Erradicação da Pobreza (1997 a 2006), lembra que "desde 1960, a taxa de mortalidade infantil nos países em vias de desenvolvimento foi reduzida em mais da metade. Nos últimos 50 anos, a pobreza diminuiu mais rapidamente do que nos 500 anos precedentes. Alcançaram-se mais ganhos nos países em vias de desenvolvimento nos últimos 30 anos do que no mundo industrializado". No entanto, muito trabalho há ainda pela frente.
Nos países em vias de desenvolvimento, mais de um bilhão de pessoas carecem de habitação adequada e estima-se que 100 milhões estejam sem abrigo; mais de 840 milhões de adultos são analfabetos e destes, 538 milhões são mulheres, praticamente dois terços dos analfabetos adultos; um quinto da população destes países não têm expectativa de vida além dos 40 anos de idade e meio milhão de mulheres morrem, anualmente, durante o parto, um índice 10 a 100 vezes mais elevado do que nos países industrializados. As mulheres e os seus dependentes constituem 80 por cento dos 18 milhões de refugiados em todo o mundo. Nos países industrializados, mais de 100 milhões de pessoas vivem abaixo do nível de rendimento da pobreza; mais de cinco milhões não têm abrigo e 37 milhões são desempregados. Quanto às crianças, 160 milhões são moderada ou severamente subnutridas e 110 milhões delas não recebem educação primária.
Cerca de 1 bilhão e 200 milhões não têm acesso a água potável e, a cada ano, sete milhões morrem de doenças contagiosas curáveis e parasitárias.
Medidas possíveis: Não é fácil calcular o valor necessário para colmatar todas estas dificuldades. No entanto, algumas comparações são possíveis: O efectivo alívio da dívida dos 20 países mais pobres do mundo custaria 5,5 bilhões de dólares, o equivalente ao custo da construção da Euro Disney; o fornecimento de educação básica para todos custa menos do que se gasta com o consumo de gelados na Europa. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento aponta algumas causas que "dificultam a recuperação dos pobres: A ausência de ordenamento do território, a existência de aglomerados populacionais informais, a má qualidade da habitação, a falta de estradas, as ligações ilegais às redes de abastecimento de electricidade, a inexistência de seguros, a falta de educação e informação”.
O PNUD apontou, também, algumas medidas que deveriam ser implantadas: 1ª - Combate ao analfabetismo; 2ª - Aumento da capacidade de emprego; 3ª - Prestação de assistência sanitária; 4ª - Criação de grupos de mediação constituídos de cidadãos; 5ª - Financiamento do investimento social através da emissão de obrigações municipais e mecanismos de reembolso previamente estabelecidos; 6ª - Recuperação das zonas degradadas das cidades; 7ª - Definição de uma abordagem participativa; 8ª - Introdução de impostos simbólicos de reduzido valor, destinados ao financiamento da solidariedade internacional.
In: Rotary em Portugal

domingo, 13 de Setembro de 2009

ARMA SECRETA

Tenho uma arma secreta
ao serviço das nações.
Não tem carga nem espoleta
mas dispara em linha recta
mais longe que os foguetões
.
Não é Júpiter, nem Thor,
nem Snark ou outros que tais.
É coisa muito melhor
que todo o vasto teor
dos Cabos Canaverais.
.
A potência destinada
às rotações da turbina
não vem da nafta queimada,
nem é de água oxigenada
nem de ergóis de furalina.
.
Erecta, na noite erguida,
em alerta permanente,
espera o sinal da partida.
Podia chamar-se VIDA.
Chama-se AMOR, simplesmente.
António Gedeão in "Máquina de Fogo"

domingo, 23 de Agosto de 2009

VIVE O DIA DE HOJE!

" Não penses para amanhã. Não lembres o que foi de ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro". Vergílio Ferreira, in "Escrever"

sábado, 8 de Agosto de 2009

BEIJO SINCERO

A foto acima, mostra uma cadela Dobermann lambendo um bombeiro exausto. Ele tinha acabado de salvá-la de um incêndio em sua casa, resgatando-a e levando-a para o relvado da frente. Depois, tinha continuado a combater o incêndio. Ela estava prenhe. O bombeiro teve medo dela no início, pois nunca antes ele tinha resgatado um Dobermann. Quando finalmente o fogo foi extinto, o bombeiro sentou-se no relvado para recuperar o fôlego e descansar. Um fotógrafo do jornal 'The Observer' notou a Dobermann olhando para o bombeiro. Ele viu a cadela a andar na direcção dele e perguntou-se o que a cadela iria fazer. Enquanto o fotógrafo levantava a câmara, ela aproximou-se do bombeiro que tinha salvo a sua vida e as dos seus futuros filhos e beijou-o. Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da Criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar o seu semelhante.
UMA SEMANA FELIZ PARA VÓS.
Maria Faia

domingo, 26 de Julho de 2009

PORQUE REFLECTIR É PRECISO!

Queridos(as) Amigos(as),
Hoje trago-vos um texto que acabei de ler e, entendo dever compartilhar convosco. Trata-se de um excerto da palestra inaugural que Jean Claude Milner proferiu em Montpellier, na abertura dos Encontros de Petrarca, organizados pela France Culture e o Jornal Le Monde, no quadro do Festival de Radio France.
PORQUE REFLECTIR É PRECISO!

" A observar sem paixão, o capitalismo financeiro mede-se a inutilidade das condenações morais. Para que este tenha imposto o seu domínio durante quase um quarto de século é porque correspondeu, e em muito, a alguma necessidade objectiva. O que é que correu mal durante os últimos trinta anos, de onde acabámos de sair?

Três coisas sem precedentes na história do capitalismo.

Em primeiro lugar, o mercado tornou-se verdadeiramente global, por outras palavras, ilimitado, uma vez que o anitogo Bloco de Leste e a China adoptaram as suas regras, este estendeu-se a todos os territórios e, nestes territórios, nada nem ninguém escapou ao seu domínio.

Em segundo lugar, neste momento, de uma globalização extrema, as nações herdeiras do capitalismo clássico terão perdido definitivamente o controlo directo ou indirecto dos recursos energéticos. O petróleo britânico suaviza um pouco este quadro, mas não o altera.

Em terceiro lugar, um recurso natural chamou bem à atenção. Através das técnicas de terror ou de necessidade, este pode ser mesmo muito barato, é renovável e extremamente produtivo. Refiro-me à força do trabalho. Este é o principal recurso natural de que a China dispõe e ela explora-o intensivamente, sem problemas de consciência.

Resultado: As nações herdeiras viram desaparecer as suas vantagens, os seus lucros excessivos passaram para as mãos dos recém-chegados, alguns dos quais (Rússia, China, Índia) ainda se atrevem a anunciar pretensões ao poder militar. Desde o tempo do ouro espanhol, o fluxo do dinheiro nunca tinha aumentado tão rapidamente em tais proporções , mas estes fluxos desviam-se dos antigos santuários.

Uma intervenção permitiu evitar o perigo: o novo capitalismo financeiro. Este concentra-se basicamente em Wall Street e na City. São os lugares mais clássicos do capitalismo mais clássico. Dos lucros excessivos obtidos pelos proprietários dos recursos naturais, uma parte investe-se em despesa de equipamento ou de puro prestígio, o resto volta para os antigos países da finança. Os lucros excessivos, uma vez aplicados, geram novos lucros excessivos. Estes últimos são de novo aplicados, reinjectados na máquina para novos lucros excessivos. Entre Nova York, Londres e o Velho Continente o Lago Atlântico Norte torna-se num mare nostrum da riqueza. Roma está sempre em Roma.

Desde então, uma ilusão necessariamente se impõe, como quase inevitável. Uma aplicação financeira traduz-se sempre numa transferência de dinheiro: se o investimento é benéfico, o movimento parece em si mesmo gerador de lucro. Desta ilusão tira-se uma conclusão ao mesmo tempo perfeitamente lógica e perfeitamente ilusória ela também, uma vez que o deslocamento do valor cria por si só valor, é então suficiente multiplicar as deslocações de dinheiro. Quanto mais sinuoso for o percurso de cada produto financeiro mais os lucros crescerão. Eles crescem, na realidade, a cada passo, a cada movimento. Labirintos e rizomas produzem, por si mesmos, um ouro sempre a jorrar. Os modelos matemáticos utilizados pelos operadores financeiros servem para os construir.

O dispositivo explodiu. Isto não significa que o problema que devia resolver tenha deixado de existir. Os grandes e pequenos barões do mare nostrum estão preocupados, embora escondam essa preocupação. Alguns procuram novas soluções, outros pretendem reparar o que pode ser feito. Reduzir o consumo de energia, reduzir o custo do trabalho, consolidar os bancos, condenar a ganância, dialogar para nos embalarem, etc. As formas para o fazer são muitas: fazem pensar que há desacordo entre eles, mas deixam-se facilmente envaidecer. Vislumbra-se desde já que, no fim de contas, tudo será concluído com um acordo de conveniência e, pode-se igualmente esperar que não passará por massacres, como aconteceu durante 10 anos após 1929.
Mas o reino do capitalismo financeiro deixou marcas profundas. Que este se restabeleça, intacto ou não, os seus efeitos vão bem para além da finança e da economia. Este tipo de capitalismo organizou uma visão do mundo, e é contra o que dele resta que nós nos confrontamos, sob a forma de licções a aprender.
Primeira licção: Interrogamo-nos sobre as causas da crise. Mas, no fundo, pouco importam os detalhes. Conhecemos antecipadamente a conclusão - invocar-se-á uma combinação de factores que os peritos consideravam altamente improváveis. Ora, é exactamente aqui que está o centro da questão. Chegamos assim a uma das principais características da gestão moderna. Ser perito consiste em determinar pelo cálculo uma escala indo do mais provável ao mais improvável. Daqui se segue, consequentemente, o conselho dado aos decisores: " Não dêm atenção ao mais improvável". Este conselho foi geralmente aceite e executado. Para o pior, porque este conduziu necessáriamente à catástrofe. É que a sociedade moderna vive sob o regime do ilimitado. Ora, nos entrecruzamentos ilimitados de séries ilimitadas, o mais improvável acontece obrigatória e geralmente, de forma muito rápida. Desconfiar da amostragem estatística deverá ser o primeiro mandamento em política. Não me parece que os homens políticos disso estejam conscientes.
Segunda licção: O reinado do capitalismo financeiro confirmou a emergência material de não importa quem. Qualquer pessoa pode tornar-se rica fazendo seja o que for não são só os operadores na Bolsa que acreditam nisso. Para além do enriquecimento, todo o pensamento, em todos os seus aspectos, mergulhou em não importa em quê desde que indiferenciado. A estatística propôs a matematização. Alguns doutrinários disso fizeram um princípio de ética política. A democracia, proclamam eles, é quem não importa quem decide sobre não importa o quê. Substitua a palavra "decidir" por um outro verbo de sua escolha: "descarregar", "mostrar", proibir", "ajudar" e ter-se-ão obtido os elementos do consenso reinante. Este "não importa quem" político ou social não é senão o "não importa quem" do capitalismo financeiro. Os exaltados do participativo fariam bem em pensar nisso; eles apenas sublimam as mais baixas ilusões do mercado. Que eles tenham convencido a maior parte das pessoas honestas para partilhar a sua dependência é uma realidade e é a sua mais grave falha.
Terceira licção: Fala-se de regulação. Seja, mas surge uma pergunta. Quem estabelece as regras? O capitalismo financeiro reitera a sua resposta: não importa quem. Porque o capitalismo financeiro não existe sem regras: pelo contrário, está cheio delas. Qualquer astuto banqueiro poderia produzi-las à sua vontade. Do mesmo modo, o neodemocrata, perigoso na sua ordem tal como o neoconservador, aceita todas as regras, desde que o seu autor seja no sentido estrito, não importa quem. Houve uma idade trágica na Grécia; terá havido, de facto, uma idade da bolsa da sociedade moderna, e que coincide com o que Foucault chamou a "sociedade de controle" . Ilimitada multiplicação das regras, ilimitada multiplicação de fontes de regras, as liberdades não sobrevivem a isso. Nós temo-lo suficientemente sentido.
A crise financeira arrancou o véu que cobria uma crise infinitamente mais profunda. Se a razão prevalecesse, ninguém deveria continuar a acreditar nos contos de fadas. Não é qualquer regra que é equivalente a qualquer outra; não importa quem não tem legitimidade para as fazer. Isto produz a clássica pergunta: Quais são as fontes possíveis de regras e de que regras? Os povos, a representação nacional, os parceiros sociais?
Diante do desastre da sociedade de não importa quem, uma certeza se impõe: mais vale que as fontes sejam pouco numerosas e claramente definidas. Em suma, mais valem as instituições. Nacionais, supranacionais, internacionais, as circunstâncias decidirão. Quer se trate do mercado ou da opinião pública, ou da sociedade ou da política, não existe mão invisível".
In: " Après la crise , quelle(s) revolution(s) - Le Monde, 14-07-2009
De: Jean-Claude Milner

sábado, 11 de Julho de 2009

O CARRO E OS CORNOS...

" Manuel Pinho foi o motor da revolução eléctrica – decisiva para a diminuição do aquecimento global.
Conheci o ministro Manuel Pinho no início da semana passada. Fiz parte do grupo das primeiras vinte câmaras que assinaram com o Governo o protocolo de arranque da rede eléctrica de apoio aos novos automóveis, amigos do ambiente, que estão a chegar.
Fez um discurso brilhante, integrado na apresentação dos primeiros modelos da viatura.
Pelo que ouvi, e vi, revelado por construtores e técnicos, aquela segunda-feira foi o primeiro dia de uma nova Idade.
A revolução que o Governo desenvolveu no âmbito das energias renováveis vai, a partir de 2011, ano em que vai começar a massificação do carro eléctrico, modificar por completo a mobilidade e a qualidade de vida das cidades.
Ainda fiquei mais surpreendido por Portugal ser o país de vanguarda, a nível mundial, nesta área de protecção ambiental e não tenho a mínima dúvida que naquela segunda-feira o Governo e as câmaras ali representadas começaram a escrever a parte mais empolgante da nova história do século XXI: o início da caminhada decisiva para a diminuição do aquecimento global, da desertificação, da poluição e rejuvenescimento do planeta.
A comunicação social deu ao assunto menos importância do que à transferência de um jogador banal e muito menos do que à morte do Michael Jackson. Pouco importa.
Naquela segunda-feira, no Pavilhão de Portugal, o Governo de Sócrates assinou a sua entrada para a História. E o motor dessa revolução eléctrica foi Manuel Pinho.
Foi com emoção que o cumprimentei e agradeci.Mal o conhecia e conheço. Apenas por leituras apressadas de historietas sobre o seu comportamento atípico.
Cinco dias depois, respondendo a uma falsidade que lhe era imputada por um deputado comunista, lá tornou a ser atípico, e no calor da discussão enviou-lhe um par de cornos. Fez mal. Os cornos não se enviam daquela maneira.
Não sei se a Assembleia da República celebrou o contributo de Portugal para este esforço mundial, que vai dos Estados Unidos à China, para a diminuição das emissões do dióxido de carbono.
Mas celebrou com forte chiadeira o par de cornos.
Está certo.
Conclui-se que os nossos deputados sabem muito, e ofendem-se com razão, de cornos e encornanços e pouco lhes interessa a revolução ambiental que vai modificar o País.
Um dia, quando a sensatez chegar, quando a nossa frota automóvel estiver pejada de carros eléctricos sem ruído e sem emitir gases tóxicos, saber-se-á que foi um senhor chamado Manuel Pinho, o grande propulsor da nova era.
Despedido com justa causa porque enviou um par de cornos a uma criatura qualquer."
Autor:
Francisco Moita Flores, Professor Universitário